A Escola dos Annales, foi uma revista criada por Marc Léopold Benjamin Bloch (1886-1944) e Lucien Paul Victor Febvre (1878-1956) com o objetivo de apresentar seus estudos, ideias e propostas teóricas acerca da História tendo em vista que eram vozes dissonantes ao historicismo vigente e das ideias positivistas e da escola metódica.
No período pré criação da Revue Annales d'historie économique et sociales (Revista dos Anais de história econômica e social), tínhamos um cenário em que a história era vista como uma ciência exata, que deveria ser entendida através dos dados estatísticos, o historiador deveria observar os fatos históricos e não analisá-los:
Os fatos falam por si mesmos e possuem uma verdade implícita que aparece quando postos à tona. O trabalho e o ofício do pesquisador seria tão somente resgatá-los do esquecimento e possibilitar sua divulgação. Mas nunca interpretá-los ou propor um entendimento para os mesmos: este seria conhecimento falho e mentiroso, por se basear nos sentidos e na avaliação de um ser humano passível de erros e que não possui a exatidão da verdade histórica. (BIRARDI e Tal..., 2012)
Com o intuito de romper com a estrutura vigente, os historiadores Marc Bloch e Lucien Febvre fundam a Revue Annales, que se balizava em três eixos centrais: eliminar o espírito da especialidade, promover a pluridisciplinariedade e favorecer a união das ciências. (Godoy, 2009, p.181)
Podemos destacar ainda,
A revista, que tem hoje mais de sessenta anos, foi fundada para promover uma nova espécie de história e continua, ainda hoje, a encorajar inovações. As ideias diretrizes da revista, que criou e excitou entusiasmo em muitos leitores, na França e no exterior, podem ser sumariadas brevemente. Em primeiro, a substituição da tradicional narrativa de acontecimento por uma história problema. Em segundo lugar, a história de todas as atividades humanas e não apenas história política. Em terceiro lugar, visando completar os dois primeiros objetivos, a colaboração com outras disciplinas, tais como a geografia, a sociologia, a psicologia, a linguística, a antropologia social, e tantas outras. (BURKE, 1997, p. 11)
Ou seja, com o advento da Escola dos Annales, o estudo da História sofreu algumas transformações, ela passou a problematizar as interpretações e os próprios acontecimentos históricos, esta Nova História não era vista mais como uma novela nem como mera narrativa de acontecimentos. Passou a defender uma história total levando em conta todas as personagens envolvidas.
Com isso, ela passou a relacionar-se com outras disciplinas afins como a Geografia, a Sociologia, Antropologia Social, dentre outras, e com este trânsito passou a interpretar os fatos históricos amparada nas luzes do espírito de período, novos atores ganharam um valor que até não tinham, a história passou a estudar também as estruturas particulares que permeavam os acontecimentos históricos.
As principais obras que trazem à tona este novo espírito da História envergam para a História econômica apoiando se em um tripé de estudos economia – sociedade – civilização.
"A novidade dos Annales não está no método, mas nos objetos e nas questões. As normas da profissão foram integralmente respeitadas por L. Febvre e M. Bloch: o trabalho a partir dos documentos e a citação das fontes. Eles haviam aprendido o ofício na escola de Langlois e Seignobos, sem deixar de criticar a estreiteza das indagações e a fragmentação das pesquisas; rejeitam a história política factual que, nessa época, era dominante em uma Sorbonne que, além de se isolar, estava corroída pelo imobilismo". (PROST, 2010, p. 39).
Em suma, temos uma história problema, que questiona, que se relaciona, e que analisa todas as nuances dos acontecimentos históricos e de seus atores sociais.
REFERÊNCIAS
BURKE, Peter. A escola dos Annales (1929-1989). Unesp, 1997.
GODOY, Eliana Vieira. Historiografia linguística: um percurso histórico linguístico. Múltiplas Leituras, v. 2, n. 2, p. 177-188, 2009.
PROST, Antonie. Doze lições sobre a História. Belo Horizonte, Autênica, 2008.
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